Mediação da Informação - Perspectivas Transversais

A rapidez da acessibilidade a uma oferta quase ilimitada e gratuita de informação proporcionada pela Internet transformou as expectativas dos indivíduos relativamente aos aspectos relacionados com o papel dos profissionais e dos sistemas tradicionalmente envolvidos na intermediação entre os sujeitos e a informação. Nesta sociedade da abundância (Anderson, 2006), a pesquisa individual de informação tornou-se uma rotina do quotidiano para todos os sujeitos, no decorrer das suas actividades enquanto alunos, profissionais, cidadãos ou consumidores, dando-lhes uma sensação de confortável auto-suficiência.

Contudo, essa autonomia baseia-se em tecnologias e estruturas que tornam o sujeito que procura informação altamente dependente, reconfigurando, portanto, novas formas de mediação em áreas transversais a todos os sectores de actividade. Simultaneamente, aparecem novas oportunidades, novas formas de contacto e novas exigências no campo da informação.

Num cenário de oferta inesgotável de conteúdos e de interconectividade simultânea de milhões utilizadores, em contraste com as escolhas e os contactos limitados de antes, a competitividade torna-se global e a criatividade capaz de conduzir à inovação afirma-se como uma condição elementar do sucesso. O acesso à informação, quer através da pesquisa (pressupondo o uso estruturado pelo utilizador dos instrumentos de pesquisa da informação) quer através da navegação (processo simples e intuitivo, resultando de um caminhar saltitante e bastante aleatório entre recursos informacionais) constitui-se inevitavelmente como um pilar da inovação.

Na segunda metade da década de noventa, vários factores tecnológicos conduziram à alteração da disseminação da informação governamental alargando os espaços e os momentos de contacto entre os cidadãos e a administração. O incremento na criação de informação directamente em suporte digital bem como melhorias nas infra-estruturas de telecomunicações foram determinantes para a modificação de práticas de relacionamento centenárias. Os serviços do Estado diminuíram os custos de gestão e tornaram-se potencialmente mais próximos dos cidadãos, desde que estes tenham meios e competências tecnológicas adequadas.

Neste contexto, impõe-se a formação precoce dos indivíduos, dotando-os de competências de pesquisa, acesso, avaliação e uso da informação e das tecnologias associadas, tarefa a ser levada a cabo por diferentes agentes educativos e destacando-se, nesse âmbito, o contributo determinante das bibliotecas escolares. Em Portugal, nos últimos anos, tem havido uma aposta estruturada na criação de uma rede de bibliotecas escolares, capaz de responder aos novos desafios colocados pela democratização do acesso aos sistemas de informação. É neste contexto que se está a reconfigurar o papel de mediador dos professores-bibliotecários, os quais enfocam cada vez mais a sua intervenção na formação e no apoio aos alunos (utilizadores de recursos informacionais), no sentido de os ajudar a saberem criar o seu próprio caminho enquanto estudantes, mas também futuros cidadãos e profissionais.

Acesso à Informação e Inovação

A revolução da informação tem vindo a alterar o mundo de forma profunda e irreversível, chamando a atenção para questões vitais em todas as vertentes da sociedade tais como a criação, a gestão e utilização da informação, a comunicação e as tecnologias da informação. Nos últimos anos o desenvolvimento tecnológico e as mudanças na quantidade e no acesso à informação têm vindo igualmente a influenciar a natureza do trabalho do mediador da informação que terá, cada vez mais, de lidar com a informação digital que passou a ser autónoma, ou seja, dissociável do seu suporte, acessível em qualquer lugar e em qualquer momento, num qualquer dispositivo.

Bibliotecas Escolares: uma ponte para o conhecimento

Os actuais avanços tecnológicos, a economia, as políticas globais e a valorização da informação e do conhecimento, a par das capacidades e competências exigidas pelo mercado trabalho e o multiculturalismo social apresentam-se como um desafio relativamente à igualdade de oportunidades/inclusão. Um dos grandes problemas actuais é o elevado número de pessoas que são excluídas de participação efectiva, na vida económica, social, política e cultural das suas comunidades. Uma sociedade assim não é eficiente nem segura. Deste modo, para as Bibliotecas Escolares, paralelamente ao apoio à actividade lectiva, o repto actual é tornar as práticas da efectiva democratização do ensino acessíveis a todos, em todo o lado e a toda a hora, através da literacia informacional e do desenvolvimento de competências que possibilitem ao indivíduo formar-se ao longo da vida.

Governo Digital

Na actualidade, a relação entre o Estado e os cidadãos depende em grande medida de factores tecnológicos, os quais determinaram mudanças significativas nas formas de criação, disseminação e utilização da informação governamental. O uso das Tecnologias da Informação e Comunicação aumentou a capacidade info-comunicacional dos órgãos estatais e levou a uma redistribuição do poder entre a administração e a sociedade que pode, assim, tornar-se mais interventiva na tomada de decisões. Apareceram novas oportunidades para o contacto entre as instituições governamentais e os cidadãos, ajudando a renovar a imagem da administração pública, enfatizando a sua eficácia e proximidade. Surgem, assim, novas formas de governo que importa conhecer e sobre as quais se deve reflectir.